O Relatório Envisioning Tourism in 2030 da Travel Foundation, especialista em sustentabilidade com sede no Reino Unido, disse que as estratégias atuais que dependem de compensações, eficiências tecnológicas e biocombustíveis, como os combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF), não conseguiriam atingir as metas de emissões líquidas zero do setor até 2050.

O relatório argumentou que medidas adicionais “devem ser aplicadas imediatamente para evitar uma maior escalada das emissões” de viagens e Turismo.

A Travel Foundation publicou o relatório em colaboração com o CELTH (Centre of Expertise Leisure, Tourism and Hospitality), a Universidade de Ciências Aplicadas de Breda, o European Tourism Futures Institute e o Conselho Neerlandês de turismo e convenções.

O relatório modela uma série de cenários de descarbonização para a indústria, com base em previsões de que as viagens globais deverão duplicar entre 2019 e 2050. Mas encontrou apenas um cenário que poderia atingir zero líquido até 2050.

Esse cenário exigiria” investimentos de trilhões de dólares em todas as medidas de descarbonização disponíveis”, bem como “priorizar viagens que possam reduzir as emissões mais prontamente – por exemplo, as rodoviárias e ferroviárias”.

Também seria necessário impor” alguns limites ” ao crescimento do tráfego aéreo, limitando particularmente o número de voos de longo curso nos níveis de 2019. Segundo o relatório, as viagens de longo curso representavam apenas 2% das viagens em 2019, mas representavam 19% das emissões totais das viagens e isso pioraria se o crescimento dessas viagens não fosse reduzido.

Menno Stokman, director da CELTH, afirmou: “as actuais estratégias de descarbonização chegarão a zero demasiado tarde. Temos de reformular o sistema – do ponto de vista climático, uma vez que atingimos o zero líquido, podemos viajar o quanto quisermos.

“Mudanças no investimento nos levarão lá dentro de uma década para viagens de curta distância. Mas, para o longo prazo, precisamos de mais tempo, e devemos ter isso em conta, uma vez que o turismo planeia o seu futuro.”

Jeremy Sampson, CEO da Travel Foundation, pediu aos governos da COP27 que”coordenem globalmente e considerem o que é justo em termos de quem paga por esse enorme investimento”.

“Não devemos exacerbar o sistema existente, que muitas vezes não produz resultados justos para as comunidades anfitriãs”, acrescentou.